Hormonioterapia
no Idoso
Aspectos
endocrinos do envelhecimento
As muitas
alterações associadas com envelhecimento são orquestradas
por influências hormonais.
Os moduladores
endócrinos da maturação e senescência são
diversas e complexas.
Em parte
atuam de comum acordo com o avanço do ciclo da vida na evolução
do plano biológico.
Pode atuar
patologicamente induzindo à doenças associadas com o processo
de envelhecimento.
O reconhecimento
dos efeitos hormonais no envelhecimento tem despertado consideravel
pesquisa na possibilidade da " Reposição Hormonal"
prevenir alterações degenerativas.
O potencial
locado para aplicações terapeuticas tem rapidamente expandido
da tradicional terapia de reposição hormonal ( HRT) com
estrogenio e progesterona para usos já considerados de testosterona,
androgenios adrenais ( DHEA) hormônio do crescimento e melatonina.
A reposição
de todo e qualquer hormônio deve ser feita quando há deficiência
do mesmo.
A menopausa
na mulher é um fato evidente, que indica a época de intervenção.
No homem
a " andropausa" é menos demarcada, mascarando muitas
vezes à ausência clínica da testosterona.
Ambos os
sexos sofrem uma deficiência das adrenais- adrenopausa melhor
exemplificada pela deficiência na produção do DHEA.
Hormônios
não esteróides tais como insulina, tiroxina, tireocalcitonina,
exibem variação cronológica menos previsível.
Seus efeitos no metabolismo iniciam ou retardam processos fisiológicos
que tem profundo impacto no processo de envelhecimento.
Insulina,
tiroxina, tireocalcitonina, compartilham a carcterística de que
seus papéis patológicos podem ser mediados, não
pela deficiência, mas pelo excesso, ou resistência tissular
periférica.
Menos bem
compreendidos são os fatores endócrinos GH e melatonina
cuja produção diminui acentuadamente com à idade.
A prática de aplicação terapeutica dos mesmos começou
em passado recente.
Estrogenio
e progesterona
O papel do HRT com estrogenio e progesterona na prevenção
da osteoporose e doença cardiovascular tem sido considerada fato
consumado. Estudo recente sugere que o uso de progesterona natural não
compromete o benefício cardiovascular do estrogenio. ( The Writing
Group for the PEPI Trial. Effects of estrogen/ progesterone regimens
on heart disease risk factors in postmenopause women. JAMA 1995).
O benefício
do HRT se faz através da diminuição da lipase hepática,
aumentando na produção do HLC-C, e aumento na conversão
do VLDL em LDL, e no catabolismo do LDL ( Skouby-1994). Alguns pesquisadores
também consideram o efeito direto antioxidante do estrogenio.
( Sack, Rader, Oestrogen and inhibition of oxidation of low-desity lipoproteins
in postmenopausal women. Lancet 1994).
Os benefícios
dos estrogenios aliviando as queixas climatericas, melhorando humor,
libido, senemonia e retardando a Doença de Alzheimer são
fatos já demonstrados por Brenner na publicação
do Am. J. Epidoemial-1994.
A progesterona
natural, também ( mas não os progestacionais sintéticos)
promovem benefícios cardiovasculares.
A prgesterona
natural além de induzir à lipolise e fibinolise, contra-atua
o impedimento no metabolismo cardiovascular que é um elemento
fundamental no risco de doença cardiovascular. Além de
por suas propriedades intrinsecas de reduzir os sintomas climatéricos,
diminui o risco de câncer, reverte o " turnover" ósseo,
e permite um melhor equilíbrio emocional e libido ( Lee J. R.
The Multiple Roles of a Remarkable Hormone-1993).
Testosterona
Muito tem
sido dito em relação aos efeitos da testosterona em perpetuar
a juventude.
É
o mantenedor fundamental da libido em ambos os sexos, e a libido é
popularmente identificada por vigor juvenil, e pode exercer um espectro
de efeito bastante largo para contra-atuar o envelhecimento.
Diversos
estudos, como de Armellini ( Metabolism-1994), revelam que os níveis
de testosterona tem relação inversa com a gorduraintrabdominal,
um marcados para a doença cardiovascular.
Existe
controversia se a testosterona promove ou contra-ataca resistência
à insulina. A primeira impressão oriunda de pesquisas
( Nestler- The Effects of Hiperinsulinemia on serum testosterone, progesterone
dehydioepiandrosterone sulfate and cortissol levels in normal women
and in a woman with hiperandrogenism, insulin resistance, acanthosis
nicrans. J. CL. Endocrinol. Metab-1987), de que as mulheres com produção
excessiva de androgenios com obesidade teriam intolerancia a carboidratos.
A idéia
oposta vem de dados que oriundos da terapia de reposição
hormonal em diabéticos não insulino dependentes ( Moller
J, Testosterone Treatment of of cardiovascular diseases. Berlim, 1984).
Surpreendentemente,
mesmo com a predominância de doença cardiovascular nos
homens, diversos fatos demonstram um efeito protetor da testosterona,
como a ativação da lipase lipoproteica, aumento na fibrogenolise,
retardo nas alterações microvasculares, melhora na "
performance" cardíaca, favorecimento do metabolismo oxidativo
no tecido isquêmico através da promoção na
atividade do ATP- como demonstrado por Moller- Testosternone treatment
of cardiovascular diseases, Berlim, 1984.
A testosterona
aumenta outros parâmetros de envelhecimento humano por retardar
a perda da massa óssea relacionada à idade avançada;
reverte à insônia, depressão e fadiga. Confere proteção
para as doenças auto imunes tais como artrite reumatóide
( encontrada em muito maior frequência nas mulheres) É
o hormônio basico para prevenir osteoporose. Snyder em Clinical
Uses os Androgens- Annu Revista Médica, 1994.
Hormônios Adrenais
A glândula
adrenal é um órgão endócrino complexo cuja
atividade o envelhecimento de diversas maneiras.
Proposto
por alguns como Rebufk-Srive (Obesity in Europe), 1991, que as elevações
crônicas induzidas pelo stress do cortisol e catecolaminas seriam
as responsáveis pela obesidade, dislipidemia e intolerância
aos carboidratos.
Ao mesmo
tempo, níveis sanguineos encontrados no indivíduo maduro,
melhor exemplificado pelo DHEA, começam seu declínio,
chegando a até 5% do valor encontrado aos 20 anos.
Os efeitos
do DHEA são principalmente mediados- via diminuição
na glicolise anaerobica, fato comprovado por Bürkenhager-Gillesse
no artigo Dehydroepiandrosterone Sulfate DHEA-S in the oldest old aged
85 and over NYAS-1994.
Alguns
pesquisadores tem proposto q o DHEA prolongue a vida. Os efeitos benéficos
da administração do DHEA estão sendo explorados
em relação à doença auto imune, tais como
LES ( GL 701 DHEA) Phase II/III clinical study patient information,
1994).
Prevenção
da doença cardiovascular ( Nestler- DHEA: The missing link between
hyperinsulinemia and atherosclerosis FASEG 1992). Contra-atuar a obesidade
( De Pergola- metabolism, 1991), o diabetes, ( Therapeutic effects of
DHEA in diabetic mice) Diabetes 1992.
Seus efeitos
androgenicos e auto-imunes tem levado adiante no tratamento da AIDS
( Dyner, An open-labeldose-escalation trial of oral DHEA tolerance and
pharmacokinetics in patients with HIV disease. J. AIDS 1993), e para
opteciação do sistema imunológico no idoso (Loria,
Regelson, Immune response facilitation and resistance to virus and bacterial
infeccions with DHEA) ( The Biological Role of DHEA).
O DHEA
segundo alguns, protege contra o câncer de mama Regelson W. (
DHEA- The "mother-steroid" 1: immunologic action- The aging
clock Ann NY Acad Sci., 1994).
Pacients
com " Síndrome de Fadiga Crôncica" também
se beneficiam com o DHEA-(Hoffman, Tired All the Time: how to regain
your lost energy, New york, Poseidon Press, 1993).
Insulina
Nos últimos
anos a insulina surgiu, não apenas como um meio regulador do
me tabolismo de carboidrato, mas também como um mediador para
uma constelação de processos patológicos que podem
ser centrais no en velhecimento: " Síndrome X" (veja
figura 5). Um termo criado por Reaven(22), Síndrome X se refere
a uma tríade de consequências da resistência à
insulina e do hiperinsulinismo:dislipidemia, hipertensão e intolerância
ao carboidrato.
A característica
marcante da Síndrome X é a adiposidade central, o que
acentua a super produção de insulina. Mais relacionada
a um eventual risco cardiovascular, é a promoção
pela insulina da produção de musculos no endotélio
vascular liso, diminuição da atividade do receptor LDL
e a deterioração dos " perfis" de lipídio
( particularmente a elevação dos triglicerídios
e do VDL(22)). Um suposto papel da insulina na iniciação
da patologia dos radicais livres já foi até considerada(23).
Além
disso, o papel do excesso de insulina acentuando a " imunosupressão"
e osteoartrite , foram exploradas(25). Altos níveis de insulina
podem iniciar ou perpetuar o glaucoma(26), uma freqüente conseqüência
da hipertensão e diabetes.
Intervenções
terápicas objetivaram controlar a superprodução
de insulina e a resistência à insulina se baseia fortemente,
na modificação de estilo de vida com exercício
aeróbico e dieta com baixo nível de carboidrato em essência.
Os agentes
terapeuticos propostos incluem o cromo, vanadio, magnésio, vitamina
E, e o Omega 3. A administração de DHEA em ratos, geneticamente
obesos, e do tipo propenso a diabetes-Zucker controlam o aumento de
peso e reduz a resistência à insulina(27). A introdução
experimental de uma abordagem famacológica de resistência
à insulina usando o agente troglitazone assinala amplamente o
reconhecimento da patogenicidade da Síndrome X(28).
Insulina 2
A insulinoterapia no idoso é bastante semelhante ao do diabético
jovem.
Pacientes
que não conseguem manter glicemia de jejum igual ou inferior
a 140 mg/dL apesar da dieta e hipoglicemiantes orais e exercícios
, tem indicação de fazer insulinoterapia assim como em
situações emergenciais-infecções agudas,
cirurgia, ou casos de stress agudo.
Mantendo-se
dieta adequada a dose inicial de uma insulina de ação
intermediária deve ser de 10 a 20 U por dia , por via subcutânea.
Aumenta-se
gradativamente a dose até que a glicemia caia a níveis
inferiores de 200 mg/dL no posprandial-Hemoglobina glicosilada e frutosamina
normais.
O ideal
é dividir a dose- 2/3 pela manhã e 1/3 antes do jantar,
e quando necessário, juntar uma pequena dose de insulina simples
pela manhã, isso se a glicemia de jejum se mantiver alta.
Várias
precauções devem ser tomadas com o uso de insulina no
idoso, problemas de acuidade visual ou disfunção cognitiva,
podem ser responsáveis pelo descontrole do diabetes, assim como
por uma hipoglicemia severa.
A dose
de insulina não é mutável. Ela pode variar na dependência
de diversos fatores, daí a importância da monitoração
da glicemia em casa através de fitas e aparelhos de uso caseiro.
As complicações
de uso de insulina no idoso são idênticas às dos
diabéticos juvenis, ou seja, lipodistrofia, lipohipertrofia,
reações alérgicas e a hipoglicemia.
No idoso,
os mecanismos contraregulatórios da hipoglicemia podem estar
alterados, podendo dar origens a quadros atípicos ou hipoglicêmicos
agudos, freqüentemente mais graves do que os observados em pacientes
mais jovens com seqüelas neurológicas, algumas delas irreversíveis.
Hormônio do crescimento
A consideração
do hormônio pituitário do crescimento como um agente "
anti-aging" é enfatizada pelo seu declínio relacionado
com o envelhecimento (figura 6). A pesquisa já tem demonstrado
o papel da substiuição do hormônio do crescimento
em seres humanos na deterioração da senescência
precoce da massa e da força muscular. Foram documentadas melhoras
expressivas na razão entre a gordura e o tecido magro e força
muscular.
O hormônio
do crescimento também desempenha um papel na cicatrização
de ferimentos e controle da imunidade(30). Seu uso foi proposto para
prevenir ou reverter a caquexia relacionada com a AIDS(31).
A reputação
de rejuvenescer e revigorar imputada aos hormônios do crescimento
levou ao seu abuso, particularmente, entre atletas. Mas devemos lembrar
da sintomatologia global da acromegalia para reconhecer os perigos da
autoadministração imprudente do hormônio do crescimento.
Deformidade facial, inchação dos pés e mãos
, artrite, irsutismo, caracterizam a acromegalia. A osteoporose e a
diabetes prejudicam bastante a logevidade e são conseqüências
do excesso de hormônio do crescimento(30). O excesso de hormônio
do crescimento tem sido relacionado com o aparecimento do câncer(32).
Ironicamente,
aqueles que tentam rejuvenescer com o uso de altas doses de GH, podem
sucumbir a sintomas, freqüentemente, relatados por pessoas que
sofrem de acromegalia: fraqueza e fadiga(30).
O GH tem
sido usado em idosos com doenças graves e quando estes são
submetidos a grandes intervenções, pois reduz o tempo
de hospitalização.
Melatonina
Se o estrogenio e a testosterona podem ser simbolizados, respectivamente,
como os planetas Vênus e Marte no Sistema Solar dos hormônios
da logevidade, a melatonina é Plutão. Misteriosa e envolta
em escuridão, a melatonina é um produto próprio
da glândula pineal. Parece operar, independentemente, da orquestração
complexa que relaciona a atividade de outros hormônios do sistema
endócrino.
Seu curso
de ação é a variação diurna da luz.
Enquanto pesquisas anteriores focalizavam quase que, exclusivamente,
o papel da melatonina na cronobiologia, novas descobertas sugerem que
ela pode exercer poderosos efeitos " anti-aging"(33).
A produção
de melatonina diminui gradativamente, com a idade, enfraquecendo padrões
de sono nos idosos(41). Como o repouso promovido pelo sono parece dar
suporte a processos de regeneração do organismo, a melatonina
desta maneira, atua indiretamente, retardando o envelhecimento.
Efeitos
diretos " anti-aging" da melatonina também tem sido
considerados. A melatonina funciona como um antioxidante primordial,
especificamente, para o radical livre OH( Hidroxila), retardando a proliferação
aduzida de DNA, exposto a agentes cancerígenos(34). Pode agir
como impedimento às mudanças neurodegenerativas, reverter
certas formas de depressão ou esquizofrenia e retardar o envelhecimento
patológico como o que ocorre na Síndrome de Down (um modelo
da doença de Alzheimer(33)).
Pesquisas
tem demonstrado o papel da melatonina, explorando sua segurança
( não existe dose letal) e definindo estratégias para
seu uso clínico.
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