Mente, corpo e espírito...

O cuidado com a saúde vai ganhando espaço na agenda diária
dos supermercadistas à medida que se conscientizam do risco
de uma rotina estressante e da baixa qualidade de vida.


Por Célia de Marchi

Os supermercadistas que se cuidem. Não por conta da concorrência, que anda a cada dia mais acirrada, tampouco por causa das eternas pendengas com fornecedores. Menos ainda porque o consumidor está mais exigente ou porque as vendas caíram. De todos
esses assuntos, eles já cuidam muito bem. Mas o que nem sempre conseguem é cuidar, ao mesmo tempo, de si mesmos.
Submetidos quase sempre a uma rotina áspera, muitas vezes iniciada por volta das seis da manhã e esticada até 22h, sem horários certos para o almoço nem descanso no final de semana, eles costumam agregar ainda a esse agitado dia-a-dia outros ingredientes nada saudáveis. Exageram nos almoços de negócio - que são frequentes -, ou no jantar, para compensar o almoço apressado ou simplesmente por não ter feito essa refeição. Recorrem ainda a hapy hours regados a uísque sob o pretexto de relaxar e, quando isso não ajuda, usam pílulas para dormir.

Para completar, muitas vezes exageram nas frituras e nos carboidratos, representados inclusive pêlos "salgadinhos". O resultado de tanta transgressão pode ser até fatal. Mas, felizmente, tem muita gente percebendo que até mesmo nesse negócio especialmente árduo é possível ter qualidade de vida. Bons exemplos não faltam.
O diretor da rede Galassi, com quatro lojas em Campinas, Natal Galassi, há muito tempo trilha o caminho da boa saúde. "É impossível ser um bom profissional, se você não dispõe de pelo menos uma hora por dia para cuidar do corpo", afirma ele, que até cinco anos atrás corria de oito a dez quilômetros diariamente e hoje é adepto do deep training, modalidade de ginástica executada dentro da água.

Todos os dias, depois do expediente, que se encerra pontualmente às 18h, Galassi vai para a academia e pratica o exercício durante uma hora.
Aos 47 anos, o supermercadista considera-se em forma, com seus 88 quilos distribuídos em 1,79 m de altura. Mas ele atribui a boa forma física e a boa saúde a um conjunto de hábitos que foi adquirindo ao longo dos anos, principalmente por meio de leitura.
E cita uma obra que considera decisiva no seu processo deautoconscientização: "A se-
mente da vitória", de Nuno Cobra, o treinador de feras como Ayrton Senna e Alain Prost. "Os fundamentos da boa saúde, para esse autor, estão no tripé corpo, mente e espírito", explica. Aprendizado - Galassi dificilmente seria um paciente da médica Odilza Vital, especialista em longevidade e geriatría. Ele já assimilou sozinho muitos dos ensinamentos que a conceituada profissional martela diariamente em seu consultório, no Rio de Janeiro, inclusive para alguns supermercadistas que para lá acorrem em busca de saúde e disposição. O comerciante provavelmente também não irá tão cedo a um SPA, cuja filosofia, diz uma das pioneiras do ramo no Brasil, Ala Sherman, é principalmente "reeducar" para um estilo de vida mais saudável. A saúde, diz a médica Odilza, repetindo o supermercadista Galassi, resulta da integraçãoentre os cuidados com o corpo, a mente e o espírito. "O desequilíbrio orgânico influi na mente e, vice-ver-sa, o estresse interfere no equilíbrio físico", diz ainda Ala Sherman.

Para a empresária, com formação em educação física, cosmetologia e química orgânica, é muito comum entre os executivos em geral o abuso de alimentos calóricos durante os inevitáveis e frequentes almoços de negócio. Esse pecado pode ser redimido, porém, se no dia seguinte o exagerado fizer o que ela chama de "drenagem", ou seja, uma queima de calorias por meio de atívidade física. "Basta uma hora de caminhada", assegura.
Mas, se o exagero vira hábito e a rotina é sedentária, o quadro se complica. Além dos sinais externos que oshomens, principalmente, tanto abominam - os "pneus" envolvendo a cintura -, há outros, que mal percebem porque, embora emitam mensagens nada sutis, são inalcançáveis para o sentido mais valorizado, a visão. Ninguém enxerga o coração, nem o fígado. E tampouco costuma associar, a tempo de impedir complicações mais sérias, cansaço e mau humor ao mau funcionamento desses órgãos vitais.