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Ano
III – Número 1 – Maio de 2001 - Reposição Hormonal na Mulher
SOL
–
Muitas pessoas falam que é perigoso fazer reposição hormonal, visto
que pode ser cancerígeno, isto é verdade?
Dra. Odilza – Grupos de Medicina avançada já estão fazendo a reposição
da progesterona, que deve ser natural, isto é, igual a que o nosso corpo
produz, antes da menopausa, porque acreditam que uma das causas da Tensão
Pré Menstrual (TPM) é o desequilíbrio entre a produção de estrogênio
e progesterona. Algumas mulheres começam a ter falência do corpo lúteo
que produz este hormônio bem antes da menopausa, o que pode ocasionar
problemas de saúde. A progesterona também é importante na formação dos
ossos. Além disso, a diferença na produção dos hormônios torna a mulher
mais vulnerável à formação de miomas uterinos e ao câncer de mama.
SOL
– A 3ª idade começa a partir de que idade? Tanto para o homem como para
a mulher? Dra. Odilza – No Brasil, a 3ª idade começa entre 60 e 65 anos,
tanto para as mulheres como para os homens.
SOL
– Por que só o sexo feminino faz reposição hormonal, quando já se sabe
que o homem passa pela andropausa? Dra. Odilza – Porque este é um conceito
novo e também porque nossa sociedade é machista. Existe uma queda de
testosterona, nos homens, aos 35 anos, isso se acentua entre os 60 e
65 anos, justamente na fase da andropausa, se fazendo necessário a reposição
hormonal também no sexo masculino.
SOL
– Por que é tão importante a reposição hormonal? Para não envelhecer
rápido? As mulheres de 50 anos, há 30 anos atrás, tinham características
totalmente diferentes das mulheres de hoje. É esse o motivo? Dra. Odilza
– Também, hoje com a medicina preventiva há uma detecção maior e mais
precoce à doença, podendo ser combatido antes do seu desenvolvimento.
Estamos na fase da prevenção do envelhecimento.
SOL
– Hormônio leva à obesidade? Por que toda mulher que toma fica mais
gorda? Dra. Odilza – Não. Os hormônios sintéticos podem dar um equilíbrio
na massa corporal, mas se a reposição for feita com hormônios naturais,
não haverá obesidade.
SOL
–A reposição hormonal mexe com a libido da pessoa? Dra. Odilza – Sim.
Os hormônios atuam no cérebro estimulando a libido. A testosterona atua
tanto nos homens quanto nas mulheres fazendo-se necessária a reposição
nas mesmas quando a deficiência deste hormônio expressado clinicamente
pela diminuição na libido.
Câncer
de mama
Será
que existe de fato alguma maneira de prevenir essa doença?
Apesar da publicação da American Cancer Society, em 1996,
(1) negando o fato, sabe-se que a modificação de diversos
fatores de estilo de vida interfere de maneira significativa na casuística
do câncer de mama.
Apenas 10 a 15 % dos casos são de origem genética, isto
é, com forte história familiar, e aproximadamente 75%
das mulheres com marcador positivo para a doença, desenvolvem
a mesma.
Se o estilo de vida não interferisse, 100% das mulheres com BRCA1,
BRCA2 positivos deveriam ficar doentes.
Estes dois genes são supressores tumorais e protegem as células
de se dividirem anormalmente. Segundo Nelson,uma mulher com alterações
nesses gens pode ter um risco quatro vezes maior de desenvolver câncer
de mama do que o resto da população.
Soma-se ao fato o ambiente em que ela vive ou trabalha. Em estudo sobre
o câncer de mama em mulheres imigrantes, Kliewer e Smith, afirmam
que aquelas que chegam aos Estados Unidos oriundas de países
de baixa incidência de câncer de mama, rapidamente aumentam
seu risco até valores comparáveis as mulheres americanas,
independente de sua história familiar. (3)
O fato acima sem dúvida alguma comprova que outros fatores além
da genética influenciam as estatísticas e que alguns podem
ser corrigidos, prevenindo desta maneira, essa doença que tanto
assusta as mulheres.
"É evidente que o risco de uma mulher desenvolver câncer
de mama aumenta dramaticamente com a idade" (4) como na maioria
dos outros cânceres, afirma. Marshall, em artigo para a revista
Science.
De acordo com artigo publicado por Brínkton e Kelsey, a idade
da menarca também é importante, assim como a da menopausa,
isto é, o período que uma mulher fica exposta ao estímulo
estrogênico, principalmente se for sintético, em fase precoce
da vida, como se vê na atualidade.
Estudos de Giddens-Herman (7), apontam que é de grande importância
o fato do uso precoce das pílulas anticoncepcionais. Fator ainda
mais agravante é que a idade da menarca tem diminuído
consideravelmente por conta do estimulo ao sexo, através da mídia.
O artigo de Petrakis (8) mostra que a gravidez e principalmente a lactação,
têm ambas efeito protetor, pois a gravidez amadurece as células,
tornando-as menos vulneráveis aos agentes carcinogênicos
enquanto que na lactação há um bloqueio hipotalâmico
e por consequência ovariano na produção de estrogênios.
Em pesquisa sobre as causas do câncer de mama, publicada na revista
Nature, Willet(9) afirma que a idade da menopausa também é
importante,pois quanto mais tardia, maior a exposição
e risco, principalmente numa fase em que outros fatores importantes
já influenciam enormemente.
Fora estas considerações de situações genéticas
e fisiológicas quase que inevitáveis, a interferência
de outras variáveis pode fazer a diferença.
Os estudos clínicos de Paffenbarger, Pike, Harris, Meirík,
Lipnick, McPherson e Kay (10) (11) (12) (13) (14) (15) (16) apontam
que deve-se evitar o uso de pílulas anti concepcionais em mulheres
adolescentes, ou tanto quanto possível em qualquer faixa etária,
pois o período de exposição ao estrogênio
e progesterona sintéticos aumenta o risco de câncer de
mama. Quanto mais precoce o uso da medicação, maior o
risco. A solução seria o uso de métodos mecânicos,
como o preservativo masculino e feminino, o diafragma, principalmente
se usado com algum espermicida ou o DIU.
Pesquisa recente conduzida pela Universidade de Oregon (17), mostra
que mulheres de maior nível de escolaridade consideram que os
hormônios naturais são mais seguros, trazem menos efeito
colateral e são mais efetivos para tratamento a longo prazo e
o estudo clínico desenvolvido pela Divisão de Ciência
e Saúde Pública da Universidade de
Washington, Seatíle (18), mostrou que a terapia de reposição
hormonal a longo prazo, com hormônios sintéticos aumentam
em até quatro vezes o risco para o tipo lobular de câncer
de mama.
A monitorização do progesterona no período da pré
e peri-menopausa é extremamente importante, pois é nessa
fase que a mulher perdendo o seu segundo hormônio (progesterona)
por deficiência do corpo lúteo ou da ovulação
fica mais vulnerável a desenvolver esta doença. Esses
fatores são citados por Jordan, em artigo publicado na revista
Câncer (19), e Stanford e Thomas, em artigo na Epidemiologic Reviews
(20).
Deve-se evitar bebida alcoólica, pois vários trabalhos
como o de Smith-Warner mostram estreita associação entre
álcool e câncer de mama em mulheres.
Com amostragem bastante significativa e acompanhamentos por mais de
10 anos, pesquisas demonstram que a bebida alcoólica independente
do tipo aumenta a incidência de câncer de mama nas mulheres
na fase pré e pós-menopausa (21), e o aumento do risco
está diretamente relacionado ao consumo.
Gavaler e Van Thiel (22), e Reichman (23) deduzem através de
seus trabalhos que a ingestão de bebida alcoólica na juventude
aumenta o risco da doença na maturidade, pois o álcool
interfere na metabolização hepática dos estrogênios,
estimula a produção de prolactina que é fora dalactação
é componente cancerígeno, e inibe a liberação
de melatonina que além de estimular o sistema imunológico,
modula os efeitos do estrogênio em nível de receptor.
Hueper mostra em diversos artigos (24) (25) (26) que as próteses
mamarias envolvidas com espuma de poliuretano também aumentam
o risco para a doença, pois esta substância em contato
com os tecidos locais se transforma em 2,4 - diamino tolueno, que é
a mesma substância dos corantes de cabelo que foram removidos
do mercado em 1972.
Fato que prejudica ainda mais as mulheres com prótese é
que a avaliação rotineira e habitual pela mamografia só
pode ser feita por técnico bem experimentado que deve deslocar
a prótese do tecido glandular para poder fazer a imagem. Outra
possibilidade que é inacessível a muitos é a ressonância
magnética.
Labarth, Armstrong e Heinonen (27) (28) (29) (30) afirmam que deve-se
evitar todo e qualquer tipo de droga (medicação) em longo
prazo.
Como afirmam Martinez, Haraguchi, Smithline, Ingram, OIsson, Williams,
Kaufman, Newman e Danielson em artigos publicados (31) (32) (33) (34)
(35) (36) (37) (38) (39) (40) (41) certas substâncias usadas no
tratamento da hipertensão arterial, certos antibióticos,
assim como certos tranquilizantes e antidepressivos, quando utilizados
por períodos prolongados de tempo, aumentam a incidência
para o câncer de mama em seres humanos ou em animais de laboratório,
o que desaconselha completamente este procedimento.
A prática de atividades físicas como, por exemplo, a caminhada,
e o controle do peso com restrição de carboidratos e das
gorduras, podem tornar possível à suspensão gradativa
de antihipertensivos, assim como atenua o stress e a depressão
- e ainda mais, reforça o sistema imunológico, livrando
o organismo de fungos e bactérias.
Na verdade, diversas pesquisas têm mostrado que a atividade física
rotineira diminui a incidência de câncer de mama, assim
como do colesterol total, aumenta o HDL, que é a lipoproteína
de alta densidade que não oxida na parede das artérias.
O controle do peso também e a atividade físico rotineira,
vão atingir as tensões e diminuir a sintomatologia de
hérnia de hiato, principal responsável pela sintomatologia
da pirose e da epigástrica.
Tratamento alternativo, que além de melhorar os sintomas, vai
permitir o consumo de vegetais pertencente á família das
crucíferas que comprovadamente tem efeito protetor ao câncer
de mama.
A obesidade que em nosso meio, a exemplo do que acontece nos Estados
Unidos, está aumentando assustadoramente, normalmente na faixa
etária mais jovem - crianças e adolescentes - definitivamente
aumenta o risco para o câncer de mama, que tem uma relação
direta com o excesso de peso.
O consumo exagerado de alimentos processados e de fast-food repletos
de substâncias químicas e conservantes e frituras pesadas.
O sedentarismo, gerado principalmente pelo hábito nocivo de horas
defronte à televisão ou computador, sempre com alguma
coisa na mão para comer, é um grande aliado da obesidade.
Dados estatísticos coletados nas últimas décadas
mostram que a obesidade aumenta o risco para o câncer de mama,
no período da menopausa, em até 50 a 100 por cento. Este
percentual aumenta cada vez mais com o passar do tempo e se existem
outros fatores de risco, tais como, história familiar, e gravidez
tardia, o aumento do risco pode chegar em até 600% (42), segundo
estudo de Sellers.
Sabemos que a nossa gordura tem capacidade de produzir estrogênios
a partir de outros hormônios. Quanto maior a quantidade de gordura,
maior o risco (43), segundo Ziègler.
Além disso, a obesidade interfere muitas vezes na ovulação,
fazendo com que a mama fique sem a proteção de progesterona.
O tecido adiposo metaboliza malos estrogênios, produzindo uma
quantidade maior de 16 a OH estrona, conhecidamente o hormônio
cancerígeno, e diminui a ligação do hormônio
com a proteína, o que expõe ainda mais o tecido mamário
(44), de acordo com artigo de Madigan.
Acredita-se que o conteúdo de gordura saturada da alimentação
esteja diretamente relacionada com o câncer de mama.
A gordura de origem animal está carregada de contaminantes, como
pesticidas, agrotóxicos e hormônios que são em sua
maioria substâncias lipossolúveis e, portanto concentram-se
no tecido adiposo do animal.
Na realidade não é a gordura animal que aumenta o risco
para essa doença, mas sim o que está na gordura (45),
diz Boyd em artigo publicado no Journal of the National Câncer
Institute.
Os contaminantes dos alimentos que afetam o tecido glandular mamário
podem ser classificados em 5 categorias:
a) Carcinogênicos - que atuam diretamente no DNA provocando o
câncer.
b) Pseudoestrogênicos - que agem como o hormônio feminino
ao nível de receptor, embora sejam estruturalmente diferentes.
c) Poluentes industriais - oriundos principalmente das embalagens de
plástico e do revestimento interno que se dá ás
latas.
d) Os hormônios administrados nos animais, para que de maneira
rápida, ganhem peso mínimo para o abate.
e) Substâncias químicas que contaminam ou com que são
tratados os alimentos, como o cloreto de metileno (para descafeinar
o café até a pouco tempo) e hidrocarbonos aromáticos
policiclicos nos peixes e frutos do mar de estuários, e carnes
churrasqueadas.
A alimentação deve basear-se em grãos, legumes,
frutas frescas, vegetais folhosos, principalmente da família
das crucíferas, que contém uma substância antioxidante,
altamente protetorapara a mama, que é o indol - 3 - carbinol,
frutos secos como nozes,
macadâmia, castanha do Pará e sementes, como a de abóbora,
sesame e linhaça, rica em ácido linoleico.
Soja e derivados, são extremamente importantes, pois existe uma
relação inversa entre o consumo de soja e câncer
de mama (46), comprova estudo de Zava e Duwe.
Além de predispor a obesidade e a uma série de outras
doenças, o sedentarismo também predispõe a todos
os cânceres ginecológicos. Várias pesquisas, como
a de Berstein, publicadas no Journal of the National Câncer Institute
têm mostrado (47) que apenas quatro horas de exercícios
por semana, já reduzem em 60% a incidência do câncer
de mama.
A atividade física, principalmente ao ar livre, além de
estimular a produção do 2 alfahidroxiestrona - o estrogênio
protetor de mama, permite modular melhor o estresse, aumenta a produção
de melatonina à noite, a formulação da vitamina
D3 na pele sob o efeito de luz solar que é anticancerígena
e reduz a prostaglandina E2 que é cancerígena.
De acordo com artigo de Bertell para Mothering, a ligação
entre irradiação e câncer de mama é muito
forte (48). Em artigo publicado no New England Journal of Medicine,
Wanebo afirma que, milhares de mulheres que sobreviveram às bombas
atómicas de Hiroshima e Nagasaki, tiveram alta incidência
de câncer de mama principalmente o grupo mais jovem(49) .
Outra evidência dessa ligação envolve o uso da irradiação
na medicina. No passado a irradiação era usada não
só para diagnóstico quanto tratamento de diversas doenças
com resultados desastrosos, aumentando o risco de câncer, principalmente
em fase precoce da vida como, a irradiação do timo do
recém-nascido (50) e crianças submetidas a fluoroscopia
(51). Irradiação do couro cabeludo para tratamento de
fungos (52) e irradiação do tórax para tratamentos
de Hodgkin (53). Como mostram os artigos publicados por Janowere Miettinem,
Mac Kenzie , Modan, e Batta.
É importante dosar de maneira criteriosa o custo benefício
de submeter uma criança à irradiação mesmo
que para meio exame.
Do mesmo modo, a mamografia deve ser feita apenas a partir dos 40 ou
50 anos com frequência mínima de um ano, aconselhada em
fase mais precoce no grupo de maior risco, com história familiar
positiva de parentes próximos e deve começar a ser feita
2 anos antes que a doença se manifeste em membros da família.
A grande aliada é a ultra-sonografia que completa a avaliação
de imagem e permite nas mamas densas, o exame na terceira dimensão.
Embora eleve as chances de câncer de mama, a mamografia permite
o diagnóstico precoce da doença, o que permite melhor
evolução.
Do mesmo modo a irradiação ambiental, também aumenta
o risco para o câncer de mama, como a proximidade de cânulas
eletromagnéticas de estações de eletricidade.
Integração
corpo, mente e espírito.
A psiconeuroimunologia é uma ciência nova baseada num conceito
crucial. Nossa mente e emoções influenciam profundamente
nossa saúde física. Acredita-se que a sensação
do estresse, ansiedade, depressão e sentir-se sem esperança
contribuem para o câncer e outras doenças.
Há quase 2000 anos, Galena, médico grego percebeu que
o câncer parecia afligir a
mulher melancólica mais frequentemente do que a alegre.
Na verdade, vários estudos, como o de Visintainer têm mostrado
que Galeno tinha razão (54). O sistema imunológico desempenha
o papel fundamental na correlação entre câncer e
emoções. A produção excessiva de cortisol
nos períodos de grande tensão emocional (55) , de acordo
com Riley, diminui a multiplicação dos linfócitos
e o timo onde eles são programados. Com o sistema imunológico
deficiente, o organismo torna-se
mais vulnerável ao câncer.
A melhor maneira de combater o estresse se faz pelas vias naturais,
como atividade física, meditação, a fé,
participar de grupos de apoio, e se necessário á psicoterapia
de apoio.
Bibliografia completa desta matéria, consultar o site www.saudeonline.com

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