Agosto de 2003

ANABOLIZANTES E PIERCINGS
A médica Odilza Vital esclarece os riscos e alerta às precauções    

Muitos são os assuntos que permeiam o cotidiano dos jovens. E, obviamente, as dúvidas em torno deles também não são poucas. O Noite e Dia convidou a Dra. Odilza Vital, formada pela Universidade Federal Fluminense, com    Pós    Graduação    em Endocrinologia e Metabologia na PUC, para esclarecer e falar sobre os riscos a que determinada atitude podem levar. Esse    mês,    piercings    e anabolizantes estão na pauta de discussão.
Colocar um piercing no corpo pode ser um simples ato de adorno estético ou identificação com um determinado grupo, não importa. O que tem que ser levado em consideração, segundo a Dra. Odilza Vital, são alguns princípios básicos para a colocação e manutenção deste. Única médica brasileira convidada a participar do Congresso sobre Medicina Adolescente realizado pelo Dr. Atkins, em outubro de 2001, em Nova Iorque, ela alerta para cuidados com a anestesia. Se for tópica (na pele), deve ser feita com xilocayna, somente depois de verificada uma possível reação alérgica. Caso contrário, pode causar choque anafilático e levar à morte. Em caso de anestesia injetável, tem que ser  ministrada por anestesista.
O material utilizado tem que ser esterilizado e descartável, para evitar contaminação. Pessoas diabéticas, com problemas sanguíneos, hemofílicos e que desenvolvem quelóides não devem colocar piercing. Para se fazer um piercing, leva-se, em média , de 10 a 15 minutos, e a dor é mínima, se a colocação for feita por pessoa capacitada. Pessoas que tomam álcool com frequência ou tomam aspirina podem ter sangramento na colocação. Vale lembrar que não se deve usar piercing de prata, que pode dar alergia. Os mais indicados são de platina, mióbium, titânium, paladium ou ouro. Cada região exige cuidados específicos.
Quanto aos anabolizantes, segundo a metabologista, - que, eventualmente, receita esta substância em doses baixas para o tratamento de pacientes com deficiências nos estrogênios naturais ou que sofrem de doenças caracterizadas por desgastes musculares todo hormônio deve ser monitorado por um endocrinologista. O problema está no uso indevido, quando o que se pretende é, simplesmente, o culto ao corpo.
Sem acompanhamento médico, pode ocorrer alteração no metabolismo e levar a casos de hepatite colangiolítica, uma vez que o anabolizante é metabolizado neste órgão. Além disso, há o estímulo de crescimento de células cancerígenas.
Nos homens, o crescimento é prejudicado, há aumento de agressividade, de acne e a produção de espermas e o nível de testosterona são reduzidos, o que pode levar à esterilidade. Nas mulheres ocorrem irreguiaridades menstruais, engrossamento da voz, hipertrofia do clitóris e aumento de pêlos corporais. Uma mulher já teve seu fígado dissolvido.
Para tanto, a médica Odilza Vital sugere campanha nas escolas de educação física e controle pelo conselho que regulamenta a profissão. Além disso, é preciso um controle mais rigoroso da venda desta substância em farmácias e academias.