13 de dezembro de 2002 ENDOCRINOLOGIA - Médica alerta para hormônio sintético

Reposição hormonal aumenta a incidência da doença de mama
ELIZABETH OLIVEIRA

A endocrinologista e geriatra Odilza Vital tem alertado as mulheres brasileiras para o risco de continuidade de tratamentos de reposição hormonal com hormônios sintéticos. Nos Estados Unidos e Europa os especialistas continuam debatendo a relação desses medicamentos com o aumento da incidência dos casos de câncer de mama. "Mas no Brasil essas notícias tiveram pouca repercussão", destaca a médica.

No livro "De mulheres para mulheres - mas que todo homem deve ler", a especialista alerta para o perigo dos hormônios sintéticos que continuam sendo receitados. "Eu defendo o tratamento de reposição hormonal individualizado para as pacientes que dele necessitam, mas somente com hormônios naturais", afirma a médica.

A endocrinologista esteve há poucos dias em Portugal, a convite da Embaixada Brasileira, para proferir palestra sobre o tema. "Na Europa a polêmica continua e as pessoas estão buscando mais informações sobre o assunto", afirma.

Odilza também defende que seja realizada uma ampla campanha de esclarecimento com as adolescentes brasileiras que estão utilizando pílulas anticoncepcionais cada vez mais cedo. A especialista alerta que esses medicamentos consumidos nessa fase também têm relação com o aumento da incidência dos casos de câncer de mama na maturidade. "Também precisamos chamar a atenção para que na adolescência seja estimulado o consumo de alimentos ricos em soja como forma de prevenção do câncer", reforça.

Outro alerta da médica é quanto à utilização de cápsulas de soja pelas mulheres que já tiveram câncer de mama. Nesse caso elas não podem consumí-las porque a substância isoflavona, presente na soja, bloqueia o efeito do medicamento anticancerígeno usado diariamente por essas pacientes. Odilza informou que o bloqueio já foi comprovado por pesquisas científicas.

A recomendação do tratamento de reposição hormonal com hormônios naturais, afirma a médica, é dada para mulheres que comprovadamente deixaram de produzir os hormônios - progesterona e estrogênio - em função da menopausa.

Em consequência disso, muitas enfrentam a chamada Síndrome do Climatério que provoca ondas de calor, depressão, insônia, dificuldade de concentração e outros sintomas. Quando há diminuição da densidade óssea e históricos de osteoporose em família a reposição também é aconselhável.

Aliado ao tratamento, a mulher deve praticar atividades físicas, comer soja e derivados, além de verduras, sementes e frutos secos, além de peixes de alto mar. Evitar cigarros, bebidas e excesso de gorduras na alimentação também são regras de quem submete-se à reposição hormonal.